Pesquisa amplia vigilância a doenças transmitidas por roedores.

Uma pesquisa desenvolvida na Fiocruz Pernambuco busca ampliar os benefícios da rede de vigilância contra a peste no Brasil, de forma a alcançar outras doenças transmitidas por roedores.

O trabalho visa proteger a população da doença causada pela bactéria Yersinia pestis, que já provocou pandemias e milhões de mortes ao longo da história.

Apesar de não haver casos da doença em humanos no Brasil desde 2005, o trabalho de monitoramento é realizado de forma permanente pelas secretarias de saúde dos municípios historicamente afligidos pelo agravo e conta com a assessoria do Serviço Nacional de Referência em Peste (SRP) da Fiocruz Pernambuco.


Habilitado pelo Ministério da Saúde desde 2002 como referência nacional para a doença, o serviço tem competências definidas através de portaria ministerial.


Programa de Controle da Peste


As ações desenvolvidas integram o Programa de Controle da Peste (PCP) e incluem a vigilância sorológica em áreas focais, onde são observados animais denominados sentinelas (cães e gatos domésticos) e roedores silvestres, cujos exames ajudam a identificar, por meio da presença de anticorpos, se a bactéria causadora da doença continua circulando naquele local. Eventualmente são realizadas também pesquisas para detecção da bactéria em vísceras de roedores e pulgas.


No projeto Estudo da soroprevalência das doenças transmitidas por roedores na Região Nordeste do Brasil as análises que já são feitas para a peste serão ampliadas e vão incluir outras doenças que têm os roedores como hospedeiros ou transmissores, tais como: febre maculosa, leptospirose e hantavirose.


A iniciativa permite um melhor aproveitamento das amostras coletadas em campo, que passam a ser destinadas ao mesmo tempo para a verificação dos quatro agravos e traz como resultado imediato também a maior capacitação das equipes envolvidas com as ações de controle.


Iniciada em 2013, a primeira etapa do projeto envolveu a qualificação de profissionais das secretarias estaduais de saúde de Pernambuco, Ceará e Bahia. De lá para cá, um total de 110 técnicos dos três estados foram treinados sobre os aspectos epidemiológicos e o controle dessas enfermidades. Também já foram realizadas as expedições para treinamento em campo e coleta de material biológico.


A bióloga e pesquisadora da Fiocruz Pernambuco Marise Sobreira, que integra a equipe do projeto, destaca a importância das capacitações realizadas. Especialmente para a segurança dos próprios profissionais da saúde, que muitas vezes, ao lidar com os roedores, protegiam-se apenas contra a peste, sem levar em conta os outros riscos.


Por exemplo, a maioria não usava proteção respiratória, desconhecendo que a mesma espécie de roedor poderia ser capaz de transmitir a hantavirose, pelo ar. “No treinamento todos são orientados sobre as formas de transmissão de cada doença e o uso dos equipamentos de proteção adequados, para que não se tornem as primeiras vítimas de um eventual surto”, explicou Marise.


Histórico da doença no Brasil


Em 1899, a peste chegou ao Brasil à bordo de um navio holandês, que trouxe ratos e pulgas infectados para o Porto de Santos (SP). A luta contra essa doença e a busca para produzir soros e vacinas deu origem a duas grandes instituições de pesquisa – a Fundação Oswaldo Cruz e o Instituto Butantan.


Um aumento no número de casos na década de 1960, principalmente em Pernambuco, no Ceará e na Bahia, levou à realização do Plano Piloto de Peste em Exu (PPP), patrocinado pelo governo brasileiro e pela Organização Mundial da Saúde (OMS).


Esse projeto, desenvolvido de 1966 a 1974 no Sertão de Pernambucano, deu origem ao Serviço de Referência Nacional em Peste (SRP) do Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães e à coleção com mais de 900 cepas de Y. pestis, que é a maior do país e está abrigada na instituição.


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